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Margarida Diogo Barbosa

Um blogue que aborda os recursos humanos numa perspectiva de todo.

08
Jul20

A nova plataforma Europass

Europass Margarida Diogo Barbosa

Eu sou fã do Europass. Não porque ache que seja do ponto de vista estético a última tendência do mercado, mas porque possibilita ao profissional uma espécie de orientação de proximidade no momento de criar o curriculum vitae ou carta de apresentação. E a experiência diz-me que quase todos os profissionais precisam desta orientação.

Há muito que a plataforma havia anunciado um upgrade nos serviços e hoje pude pela primeira vez experimentar na prática o que isso significa. Confesso-lhe que gostei, pois mantive a percepção que já tinha, ou seja para quem tem dificuldade em desenvolver uma estratégia de curriculum vitae ou carta de apresentção, o serviço europeu é o sítio certo para começar. Para quem faz recrutamento ou pelo menos vê muitas candidaturas diariamente seria certamente procurar o mesmo tipo de informação no mesmo sítio ou com a mesma disposição. Tenho visto curricula vitae que parecem autênticos labirintos de informação e ninguém me conseguiu ainda convencer da sua utilidade.

Então o que mudou?

Tudo no mesmo perfil digital. A plataforma evoluiu definitivamente para uma espécie de cloud curricular onde o profissional pode colocar toda a sua informação académica, profissional e que do ponto de vista pessoal pode contribuir para valorizar o posicionamento profissional ou curricular, como é o caso dos interesses, hobbies ou presença nas redes sociais. Com esta possibilidade, o profissional passa a dispor de um perfil digital, já muito usado entre os criativos, que pode usar como ferramenta primordial de pesquisa de emprego ou de abordagem pro-activa ao empregador.

Documentos num só sitio. Nesta nova plataforma, o profissional pode colocar no seu perfil profissional o curriculum vitae, a sua carta de apresentação ou motivação, as suas certificações profissionais, as académicas também e outros documentos relevantes, nomeadamente no caso do estrangeiro de país não pertencente ao espaço Schengen a autorização de residência válida ou até mesmo as referências que vêm em formato de recomendação.

Esta nova possibilidade evita o aumento exponencial do tamanho do curriculum vitae tradicional e permite ao empregador consultar toda a informação relevante num único espaço digital, o seu perfil. Por outro lado, acredito também que evita que a sua candidatura vá parar ao spam por restrições de envio/recepção de tamanho de email ou configuração do servidor de email. 

Identificação automática de skills. À medida que vamos inserindo a nossa informação profissional e procedendo ao upload dos nossos documentos profissionais, a própria plataforma vai dando uma ajuda preciosa na identificação de skills profissionais, fazendo sugestões de tarefas core relacionadas com o nosso perfil e com o tipo de função que poderemos inclusive estar à procura.

Europass Profile Margarida Diogo Barbosa II.png

Para que serve esta nova plataforma?

Bom na realidade, acredito que a nova plataforma Europass pretende definitivamente assumir-se como um ATS (Applicant Tracking System), criando por um lado a ligação entre trabalhadores e empregadores, promovendo a coesão europeia através do estímulo à mobilidade, já que no meu perfil eu posso indicar para que países estaria disponível para trabalhar, e por outro lado, unificar/estruturar a oferta de emprego a nível europeu através não apenas através da definição de perfil por via das skills que actuam como hashtags, mas essencialmente por disponibilização imediata da informação profissional e curricular de cada individuo.

Numa altura em que a Microsoft, a IBM, a Google e outras grandes tecnológica investem fortemente na área dos ATS, a evolução do Europass permite estender a sua área de competitividade para além da elaboração de ferramentas de pesquisa de emprego e instrumentalizar as estruturas europeias de coesão e mobilidade. Desta forma, a Europa optimiza não apenas as ofertas disponíveis para trabalhadores "europeus", mas também todas as formações, cursos e outros eventos ligados ao meio profissional, sem esquecer a agregação de toda a documentação profissional relevante. 

No link em baixo pode consultar a minha 1ª versão de perfil na plataforma Europass e arranjar coragem para criar o seu próprio.

O meu Perfil Europass: https://europa.eu/!Bb79yh

 

 

24
Jun20

Atalhar caminho

Individual success is a myth.png

Adoro atalhos.

Nada como usarmos o elevador em vez das escadas, é mais rápido e muito menos cansativo, afinal as escadas foram feitas para os que precisam de exercício físico. Se precisar excepcionalmente de usar o Metro, o Estado certamente não se importará que eu me cole a alguém que tem um título já pago, afinal os meus impostos também sustentam os “parasitas” da sociedade. Quando me espalho ao comprido no desempenho das minhas obrigações profissionais posso sempre deixar que o estagiário fique com o ônus da culpa, afinal ele ainda precisa de aprender mais do que eu.

Mas a nossa carreira não é um atalho, pois não? A nossa carreira e o que fazemos dela é uma espécie de caminho sinuoso em que a cada etapa encontramos um enigma ao qual precisamos de dar resposta. Por vezes não existe uma resposta óbvia e nalguns momentos estes enigmas não têm sequer resposta única. A Vida é assim mesmo, sem escolhas únicas e respostas óbvias.

Mas escolha o que escolher, não vá pelo atalho.

19
Mai20

Potencial Solar

Solar Gold.png

Potencialmente cada um de nós não é apenas uma função, uma profissão ou um conjunto de tarefas adstritas a um descritivo funcional. Potencialmente somos muito mais do que apenas “isto”, mas ainda assim investimos anos das nossas vidas na conquista do reconhecimento da nossa habilidade em sermos especializados, ou especiais, não fosse a “especialidade” a qualidade do que é especial. A nossa sangria pela “especialidade” não começa na carreira e nem na escola, mas em casa, junto do núcleo familiar e mais próximo onde aprendemos a lutar pelo reconhecimento, pela validação e pelo feedback.

Alguns de nós conseguirão aprender que não podem ficar presos neste processo, outros necessitarão dele uma vida inteira, afetando impiedosamente as suas relações e dinâmicas pessoais, mas inevitavelmente as profissionais também. Muitos dos que ficam presos neste processo são, para nosso espanto, algumas das nossas chefias directas e aquelas com quem temos de lidar diariamente.

Se nos conseguirmos libertar da necessidade de nos especializarmos para nos sentirmos “especiais” e indispensáveis aos olhos dos outros, o potencial em cada um de nós é imenso. Basta que para tal sejamos mais honestos connosco e com a nossa essência solar.

01
Mai20

A dádiva dos Recursos Humanos

margarida-barbosa.com

A maior e mais profunda dádiva que um profissional dos recursos humanos pode receber é sem dúvida alguma a possibilidade e o privilégio de contactar com pessoas. É no contacto com as pessoas, com as suas limitações, competências e escolhas realizadas ao longo da sua vida e carreira que constatamos como as relações são um universo complexo, com uma elevada carga emocional e extremamente imprevisíveis.

Nunca tendo sido a melhor da minha profissão ou do meu segmento, fui sempre uma das mais interessadas em compreender os “porquês” inerentes a determinadas decisões de carreira ou de ordem pessoal. Sentia sempre um fascínio incomensurável pela compreensão até ao mais ínfimo pormenor pelas razões invocadas por aquele profissional ou ser humano. Esse fascínio foi a ligação que eu desenvolvi e mantive com a minha profissão. Não a necessidade de coscuvilhar sobre a vida alheia, mas tão-somente compreendê-la e dar-lhe alguma lógica.

Incorporando no meu dia-a-dia profissional a infinita possibilidade de encontrar versões diferentes de pessoas entendi como se tomam decisões opostas perante circunstâncias de vida ou carreira idênticas. Mais, entendi acima de tudo que decisões opostas perante circunstâncias de vida ou carreira idênticas não significam necessariamente “certo ou errado”, “bom ou mau” ou “verdade ou mentira”.

No que diz respeito à tomada de decisão perante factos ou circunstância particulares, cada um de nós escolhe caminhos com “geografias” diversas e essa é a essência da vida em si mesma. Para qualquer profissional de recursos humanos esta deve ser a verdade implícita: Aceitar, entender e incorporar esta multiplicidade de versões, escolhas e experiências. É um trabalho nunca acabado.

Este mar infinito de escolhas e caminhos foi sempre a minha grande motivação, o meu leme numa tempestade de emoções, decisões de vida ou carreira nem sempre compreensíveis ou simples para quem não lhes dá a devida importância. Contudo, pude também compreender que mesmo num mar de possibilidades ou escolhas, os profissionais podem e devem encontrar práticas mais ou menos sistematizadas e validadas que lhes permitam servir como âncora no momento da decisão.

Essas práticas, a par do conhecimento individual que o profissional tem sobre o segmento de mercado onde está inserido e a sua função, são a única ferramenta que lhes possibilita ser mais eficazes nos objectivos a alcançar. É este pormenor que faz toda a diferença entre os que têm sucesso e os que não têm.

Se está a perguntar a si mesmo por que motivo isto acontece, deixe-me dar-lhe a resposta. Em Portugal o desenvolvimento de um conceito de Educação Profissional ou de uma política de preparação para a integração no mercado de trabalho simplesmente não existe. Não existe e o mercado não sabe o que é, o que pode ser e fazer pelos profissionais mais jovens e mais grave ainda a maior parte dos intervenientes de recursos humanos não lhe dedica tempo algum do seu tempo ao seu estudo ou desenvolvimento.

A minha experiência no segmento em causa diz-me que o tema não é sexy, dá muito trabalho, requer muita reflexão e mais importante que tudo isto parece que não traz nenhum proveito financeiro imediato nem para as organizações nem para os profissionais do sector. Esta é a dura realidade. Contudo e porque vivemos tempos em que a taxa de desemprego é elevada, a concorrência é feroz entre profissionais e a pressão sobre os que estão empregados é real, devemos responsavelmente reflectir sobre estas práticas educacionais que tanta falta fazem aos profissionais, seniores ou finalistas à procura do primeiro emprego.

Por outro lado, não podemos esquecer também que o paradigma do emprego mudou radicalmente na última geração, em boa parte porque a percepção do trabalho mudou. Ou seja, nos últimos 30 anos a percepção de que um trabalhador era uma peça fundamental da estabilidade e subsequente crescimento da organização acabou, fazendo com que o trabalhador passasse a valer tão-somente o que representa para a organização em termos de números (produtividade, oportunidades de negócio, novas ideias, etc.)

Esta mudança de paradigma, este abanar do status quo vigente veio ditar uma mudança no ónus da gestão de carreira do profissional, significando que o próprio individuo passou a ser responsável pela sua própria carreira, algo que nunca acontecera enquanto a organização lhe proporcionava um “emprego para a vida”. Essa gestão não era necessária nem sequer importante.

Ora todas estas mudanças em termos de sistema, em termos da percepção do trabalho quer pelo profissional quer pelas organizações acabou por criar um vazio relativo à eficácia com que os profissionais navegam ou se integram no mercado de trabalho. Ninguém sabe muito bem o que é verdadeiramente eficaz na pesquisa de emprego, na mudança de profissão, na gestão de carreira, e por aí adiante. E ninguém sabe porque ninguém o estudou ou investiu o seu tempo a estudar este tema que é a Educação Profissional.

Tal como lhe disse anteriormente eu sempre quis compreender os “porquês” inerentes a determinadas decisões dos profissionais com quem me relacionava. A minha necessidade de compreensão apresentava-se com o mesmo vigor com que aos 7 anos resolvi perguntar ao meu pai o que estava por detrás do Universo. Como poderia eu validar o perfil dos meus candidatos se não os compreendia na tomada de decisão ou na gestão da sua carreira? (...)

(excerto do Manual de Pesquisa de Emprego, Margarida Diogo Barbosa, 2012)

30
Mar20

Para onde foram todos?

Alexandre Debieve foto

Nada como uma "boa" pandemia para vermos quem se aguenta nas "canetas". Para onde foram os Happiness Managers do mercado português, os HR Believers que tinham tanto para nos ensinar sobre as novas práticas dos recursos humanos, os Business Provocateurs que sabiam tudo dos modelos de negócio para o século XXI, os People Hackers que eram peritos em motivar pessoas e equipas e também os World Changers, esses sim, verdadeiros pioneiros da mudança mundial. Pergunto para onde foram todos?

Nada como uma "boa" pandemia para vermos quem fica no barco quando as ondas da mudança se tornam em vagas do Apocalipse. Parece que ficaram apenas os Técnicos de Recursos Humanos, os Vendedores e os Empresários do lápis e papel. Ficaram porque no fim do dia quem paga as contas, os salários e as aspirações de muita gente fútil cujo título não consegue esconder a ausência de profundidade intelectual, são os tais merceeiros e gente sem capacidade para ser trendy!

Trendies agora é sério! Não é para quem brinca às profissões!

27
Mar20

Sessões Gratuitas

Sessões Carreira.png

Vivemos tempos peculiares. Tempos em que o medo toma conta de nós, da nossa vida e nosso quotidiano, mas é nestes tempos e circunstâncias peculiares que percebemos o quanto podemos fazer a diferença.

Nas últimas semanas publicitei através do LinkedIn a disponibilidade para realizar sessões gratuitas com profissionais de todos os sectores do mercado de trabalho português, nomeadamente com aqueles que precisavam de melhorar o seu Curriculum Vitae. As sessões esgotaram rapidamente e percebi que provavelmente tinha desencadeado uma oportunidade hercúlea que necessitava de mais tempo da minha agenda.

Assim durante o mês de Abril (ainda sem datas definidas) vou abrir novamente a minha agenda para conversar e apoiar profissionais, não apenas no seu tema principal, o Curriculum Vitae, mas noutros que sejam pertinentes para cada um.

Se quiser agendar uma sessão por Skype ou Zoom comigo envie-me um email para margarida@margarida-barbosa.com. Que a minha experiência e conhecimento nesta área possam ser um farol na sua vida!

Até já!

11
Mar20

Impulsividade

#Impulsividade

Muitos dos profissionais que acompanho não gostam de ser conotados com personalidades impulsivas e muito poucos reconhecem a sua importância no contexto profissional ou mesmo pessoal.

Em definição restricta a impulsividade está profundamente associada a quem age sem pensar ou a quem facilmente se enfurece e, portanto, a impulsividade é sinónimo de precipitação, impetuosidade, irritabilidade e mesmo de uma certa imprevisibilidade de comportamento.

Personalidades com um nível alto de impulsividade podem efectivamente ser imprevisíveis, precipitadas ou mesmo irascíveis, mas também podem ser profissionais com elevado grau de iniciativa, uma vez que o impulso à acção está naturalmente enraizado na sua matriz identitária.

A força interna que gera o impulso e motiva a acção não assusta estas personalidades, e nesse sentido a impulsividade deve ser vista como o fósforo” que estrutura uma postura operacional, quase sempre pragmática e orientada a objectivos.

10
Set19

Fazer mais para Ser mais

Não é Inverno e muito menos Natal, mas estas pequenas (grandes!) mensagens são determinantes para confiarmos em absoluto no que fazemos e como fazemos. E aquecem o nosso coração.

"Olá Margarida. Obrigada pelo apoio, fica o contacto para futuros interesses. Não posso deixar de lhe agradecer a forma simpática e eficiente com que sempre respondeu. Tem uma abordagem claramente diferenciadora da generalidade dos seus colegas de profissão. Tenho pena de não ser desta vez que vamos trabalhar juntas. Um bem haja para si."

 

07
Ago19

Livros. O meu retiro espiritual.

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Ninguém será capaz de proceder a escolhas eficazes sobre a sua carreira se não souber desenvolver mecanismos internos para promover a sua inteligência emocional. Este processo requer coragem para olharmos para dentro de nós e tempo para nos reconciliarmos e aceitarmos quem somos e o que verdadeiramente procuramos para nossa vida e respectiva carreira.

Mesmo a viver um dos melhores momentos da minha carreira também eu me disponho a essa busca interior e a esses momentos preciosos de retiro que me dão estabilidade e discernimento para ajudar os outros. No meu caso, o meu retiro são os livros.

Este Verão descobri Walter Scott e James Hogg. E vocês o que gostam de ler?

11
Jul19

Carreira & Missão

Uma das estagiárias da Global Partner HR Solutions perguntou-me um dia porque tinha escolhido esta carreira. Nunca verdadeiramente tinha pensado sobre isso, mas acabei por lhe dar a única resposta que me fez sentido, eu não escolhi esta carreira, mas acho que a Vida me trouxe até aqui.

Na realidade, sempre gostei de Pessoas e creio que "elas" também sempre gostaram de mim. Mesmo que no início da minha carreira tivesse tido momentos em que sentia dificuldade em abraçar esta competência, a maturidade e própria experiência adquirida fez-me finalmente compreender e aceitar a minha Missão.

E quando as circuntâncias da Vida nos proporcionam a possibilidade de juntarmos a Carreira à Missão pessoal tudo faz muito mais sentido.

Sobre mim

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Biografia

Este blogue é o resultado do meu percurso enquanto especialista em recursos humanos.

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