Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Margarida Diogo Barbosa

Um blogue que aborda os recursos humanos numa perspectiva de todo.

21
Jun19

Cuidar da nossa Carreira

simon-migaj-421505-unsplash.jpg

"P'ra se entender, tem que se achar" Elza Soares (in Sei Lá Mangueira)

A nossa carreira é apenas mais um dos muitos reflexos de quem somos como pessoas, talvez por esse motivo ela reflicta inequivocamente o melhor e o pior de cada um de nós.

Uma gestão cuidada e pensada da nossa carreira implica por certo cuidarmos de quem somos como seres humanos, mas também resolvermos o que nos condiciona, o que nos trava no processo e sobretudo o que nos diminuiu quando competimos por melhores oportunidades com outros profissionais.

Cuide da sua carreira como cuidaria de quem mais ama.

05
Jun19

Guias salariais à parte

fabian-blank-78637-unsplash.jpg

Num destes dias, um dos meus candidatos dizia-me que consultava ocasionalmente os diversos guias salariais disponíveis no mercado quando se queria posicionar em termos de expectativa profissional nas entrevistas. Perguntei-lhe se sabia como estes guias salariais eram desenvolvidos, respondeu-me que não.

Aconselhei-o a fazer perguntas a quem de direito porque certamente não me cabe a mim responder pelo trabalho e ética profissional de terceiros.

01
Jun19

Mulheres Machistas

the-hk-photo-company-661959-unsplash.jpg

Não são raras as ocasiões em que digo aos meus candidatos que compreendo algumas das decisões que tomaram e o que sentiram em determinados contextos profissionais, pois eu também já fui e continuo a ser candidata. É precisamente essa solidariedade que me conduz quando trabalho com profissionais, seja em processos de recrutamento, seja em programas de gestão de carreira.

Talvez o caso mais gritante seja o da discriminação em ambiente de entrevista e é sempre nesse tema que lhes conto o que lhe vou contar aqui, neste artigo. Há uns anos, numa fase final de um processo de recrutamento em que participei como candidata, fui entrevistada por uma senhora. Do rol infindável de perguntas, onde era inegável uma desconfiança latente por me ter apresentado na entrevista de vestido justo com uma cor vistosa, percebi que o seu único objectivo era encontrar algo que me eliminasse do processo selectivo. Sendo também recrutadora, sei que um pretexto não é realmente necessário quando não queremos avançar com "aquele" candidato, mas efectivamente eu tinha passado as duas fases preliminares do processo, uma delas com o administrador da empresa, e, portanto, teria de existir uma razão incontestável para a minha exclusão.

Essa exclusão aconteceu por via da minha condição de mãe, à falta de outra diga-se. Quando me perguntou se tinha filhos e lhe respondi positivamente, explicou-me que aquela organização tinha como política primordial apostar em profissionais que não tivessem preocupações em termos de horários e compromissos pessoais, pelo que um filho era complicado, ou traduzido em bom português, um empecilho. Ouvindo calmamente os seus argumentos lembro-me de ter pensado que não iria ficar bem comigo se não lhe respondesse na mesma moeda e assim quando lhe perguntei se tinha filhos e me respondeu negativamente, eu retorqui com um "nota-se..." num tom simultaneamente reprovador e orgulhoso.

Toda a minha vida ouvi a minha mãe dizer que “pior que um homem machista, é uma mulher machista” e certamente por isso advogo que se não queremos ser condicionados por determinado tipo de comportamentos, não devemos perpetua-los através das nossas acções ou conivência.

22
Mai19

Escolhas...

sean-kowal-1486376-unsplash.jpg

Alguém dizia que a vida são dois dias. Eu digo que mais tarde ou mais cedo somos chamados a responder pelas nossas escolhas ou pela falta delas, pois dificilmente conseguiremos escapar eternamente por entre os pingos da chuva.

Escolha! Independentemente de ter o aval, a concordância ou a compreensão dos que estão à sua volta. Escolha e respeite a sua verdade interior porque senão a Vida encarregar-se-á de lhe dar as escolhas que sobraram de quem já escolheu em livre consciência. Escolha! E faça o que verdadeiramente gosta!

16
Mai19

O amor e a fibra da comunidade

Se queremos saber qual é a fibra da comunidade social em que vivemos sugiro que nos sentemos num café e conversemos casualmente com as pessoas à nossa volta. Por certo, não me refiro a conversas sobre a meteorologia ou futebol, mas aquelas em que as pessoas nos contam histórias das suas vidas e das pessoas que delas fazem parte. Essas sim nos dizem em que comunidade vivemos.

Nos anos em que vivi na província percebi que em aldeias ou vilas muito pequenas o único verdadeiro ponto de encontro e per si lugar social é o café, onde ao fim de semana todos se encontram e por aqui ficam a manhã toda à conversa. No início, confesso, os meus hábitos lisboetas carregados de condescendência não me permitiram ver as pessoas à minha volta e muito menos aquelas que estavam desejosas de conversar comigo. Tudo me parecia inconveniência e coscuvilhice até ter aparecido a D. Julieta.

Conheci a D. Julieta num sábado gelado em que o calor humano do café não deixava nenhuma cadeira disponível, a não ser a terceira da minha mesa onde eu estava a tomar o pequeno almoço com a minha filha. Perguntou-me se se podia sentar e eu ajeitei-lhe a cadeira.

Assim que se sentou, sem rodeios e num jeito provinciano que hoje tanto me comove e me guia, disse-me que a minha avó Teodora tinha sido uma das pessoas que mais tinha estimado na sua vida. Para uma lisboeta condescendente dizer-lhe que fiquei comovida e simultaneamente surpreendida seria provavelmente um understatement e aquela dose de honestidade crua foi o mote para uma longa conversa de café. Falámos sobre a sua juventude, sobre a sua família, sobre a minha, mas sobretudo falámos sobre a estima que tinha pela minha avó que no período mais difícil da sua vida foi a única que lhe estendeu a mão e que teve a coragem de mostrar a qualidade da sua fibra enquanto mulher. Para mim um orgulho porque sempre tive a minha avó como uma mulher tradicionalista e conversadora.

A D. Julieta amou perdidamente, como quase todas nós já amámos, mas no seu caso o seu amor foi violentamente interrompido pelo desinteresse do seu pretendente, ao que parece poucos dias antes do casamento. Nos dias que correm tenho a certeza que seria rei morto, rei posto, mas naquela altura viver numa comunidade pequena e tradicional tinha outro significado, outra responsabilidade e por esse motivo nunca casou, ao que parece a vida (ou a comunidade) nunca mais lhe deu outra oportunidade. Resumiu-se a ser a tia-ama dos sobrinhos e a guardar memórias num quarto modesto de um anexo da casa. O seu conformismo, a sua resignação perante os factos da vida, em contraste com a qualidade da fibra da sua comunidade que a deixou desamparada quando mais dela precisava deixou-me enternecida, mas também orgulhosa da minha avó que foi o seu único ombro amigo, a única que a consolou e que tantas e tantas vezes lhe disse “Deixa isso rapariga, não te incomodes.”

Na minha profissão, assisto muitas e muitas vezes e num silêncio que tem de ser quase sempre consentido, a gestos profundamente discriminatórios e que são também reveladores da qualidade da fibra de quem os pratica. O meu único conforto é compreender de onde viemos e reconhecer as oportunidades do que ainda podemos vir a alcançar e a ser enquanto comunidade social.

~A todas as Julietas que existem neste Mundo~

14
Mai19

Factos da Vida

Estou a escrever um artigo sobre o mercado de trabalho português e embora esse facto só por si não tenha grande interesse, acabei por me lembrar de uma conferência sobre trabalho em que participei no longínquo ano de 2013.

Nessa altura, e perante representantes de sindicatos, defendi que dificilmente Portugal conseguiria voltar a alcançar uma taxa de desemprego abaixo dos 6%, não por falta de vontade, mas porque essencialmente a crise tinha tido o condão de expor um conjunto de fragilidades do nosso mercado de trabalho e sistema de apoio à inserção na vida activa que dificilmente se resolveriam sem uma reforma estrutural. Do que falava eu?

De profissionais desempregados de longa duração, sem qualquer capacitação técnica e intelectual e que na prática terão inúmeras dificuldades para regressar ao mercado. Ou melhor dizendo, profissionais que não sabem fazer nada que verdadeiramente se enquadre neste novo Mundo.

Em 2018, tivemos uma taxa de desemprego de cerca de 7%. É isto.

07
Mai19

Sobre a felicidade

D3049-217.jpg

Sobre a felicidade.

Vivemos tempos estranhos. Não há nada que se consiga manter no seu estado mais genuíno e mais honesto. Há sempre os abutres à espreita que consideram interessante desmembrar para instrumentalizar em benefício dos seus interesses individuais ou particulares. Neste suposto mundo aberto e globalizado nada sobrevive à lei da interpretação superficial, assim foi com o coaching, com as frases inspiradoras ou até mesmo com as técnicas de auto-ajuda que entupiram as prateleiras de livrarias, papelarias e áreas de serviço.

Os tempos são tão estranhos que há organizações que julgam ser capazes de desenvolver e implementar práticas que fomentem a felicidade dos seus colaboradores, ora por construírem uma nova sede, ora por trazerem para dentro do espaço empresarial actividades supostamente lúdicas. Curiosamente nada que incentive o trabalhador a ter vida pessoal, mas antes tudo o que potencie o crescimento dos negócios e dos lucros do empregador. Só curiosamente. Não que haja alguma intenção por detrás da necessidade de definir o que são as “melhores práticas para a felicidade”.

Tinha pensado não escrever nada sobre isto. Tinha pensado. No entanto hoje tirámos esta fotografia e o que começou por ser uma sessão fotográfica corporativa e formal tornou-se naturalmente noutra coisa qualquer quando percebemos que havia adereços. O melhor de nós sobressaiu.

A felicidade é de cada um de nós. Não está, nem pode estar entregue à organização e ao empregador. Senão, todos sabemos o que vai acontecer, certo?

Créditos: NC Produções

04
Mai19

Recomendar sem falar

Um destes dias, num jantar de amigos, foi-me apresentada uma pessoa que reconheceu o meu nome de anúncios de emprego que tinha visto algures no Sapo Emprego. Após alguma hesitação,  e quando sentiu que tinha finalmente uma oportunidade perguntou-me timidamente se me podia recomendar a irmã que andava há algum tempo à procura de trabalho. 

Acenei-lhe positivamente com a cabeça e tentei alcançar a minha mala para lhe entregar um cartão profissional, mas antes que o conseguisse fazer, e num tom obviamente preocupado e comovido, diz-me "Desculpe fazer-lhe este pedido, mas há 2 anos que ela procura trabalho e está tão triste que anda a ser acompanhada pelo psicólogo".

Compreendo a preocupação de irmão e sobretudo compreendo que há por aí muito recrutador que quer saber tudo antes sequer de conhecer a pessoa em causa, mas uma entrevista deve ser uma página em branco que é escrita entre o recrutador e o candidato. Esta página sem nada escrito à partida é fundamental para não potenciar condicionalismos, actos discriminatórios e sobretudo para aumentar a relação de confiança que deve nascer numa entrevista.

Se me quiserem recomendar amigos, colegas ou familiares não acrescentem informação desnecessária, pois na maioria dos casos não estarão a ajudar. Na realidade, eu não quero, nem preciso de saber nada da pessoa de início para gostar dela como profissional após a entrevista.

03
Mai19

Quem é Ada Hegerberg?

Quem é Ada Hegerberg e por que motivo ter sido deixada de fora do Mundial de França 2019, por parte da Federação Norueguesa de Futebol, pode ser notícia de destaque?

Na realidade, e até para percebermos como as notícias são veiculadas quase sempre de forma tendenciosa, Ada Hegerberg que é nada mais nada menos que a grande estrela da selecção feminina de futebol da Noruega, tornou-se notícia nos últimos dias porque decidiu não representar a sua equipa nacional no Mundial de França 2019 e não o contrário como noticiado. Outras jogadoras norueguesas, nomeadamente a sua irmã Andrine, seguiram-lhe o exemplo.

Talvez se estivéssemos a falar do "futebol" que nos entope a televisão diariamente ao serão poderíamos pensar que estaríamos a falar de dinheiro ou talvez até numa birra das manas Hegerberg, mas não é este o caso. Tanto Ada como Andrine estão de candeias às avessas com a sua federação simplesmente porque as condições de competição e pagamento de salários e prémios de jogo entre a equipa feminina e a equipa masculina não são iguais. 

Pessoalmente, o que considero louvável é o facto de Ada ter sido capaz de ver para além da sua carreira e dos seus próprios interesses, não apenas em prol das suas colegas de equipa, mas também em benefício de todas as jogadoras de futebol, profissional ou amador, que todos os dias competem com menos condições. Ada Hegerberg recusou-se a perpetuar o comportamento de vítima e através das suas acções e influência impulsionou a mudança que já está a acontecer. 

26
Abr19

A propósito das contrapropostas

A propósito das contrapropostas.

Bem sei o quanto é mal visto pelos recrutadores que um determinado profissional aceite uma contraproposta do seu atual empregador. Mas e se essa contraproposta for apenas uma medida de retificação de uma situação já de si injusta?

Diz-me a experiência que muitos profissionais se assenhoram destas oportunidades, não realmente para mudar de trabalho e progredir na carreira, mas tão-somente para marcar uma posição exclusivamente financeira junto do seu atual empregador. Porém, e mesmo considerando como plausível que possam ser uma minoria do mercado, existem profissionais que são manifestamente subvalorizados financeiramente.

Nesses casos, não é aceitável que a contraproposta possa ser uma ferramenta de promoção profissional?

Sobre mim

foto do autor

Biografia

Este blogue é o resultado do meu percurso enquanto especialista em recursos humanos. Aqui, este tema será abordado numa perspectiva de todo: as boas práticas, métodos, o que há de novo no mercado, as relações entre recrutador, candidatos e clientes.(...)

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D